Por André Luiz Rodrigues Ferreira

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” – I Coríntios 6:12

Nestes dias em minhas leituras bíblicas me deparei com este versículo muito conhecido e que nos trás um grande ensinamento mas que têm caído no esquecimento nos dias de hoje.

Neste versículo vemos Paulo orientando a igreja de Corinto a respeito do perigo de quando nos deixamos no dominar por alguma coisa, o que nos leva a pecar.

As cartas de I e II Corinto contém ensinamentos para a igreja de Deus. O nome “Senhor” tem lugar proeminente neste livro. Este fato tem profundo significado porque muito da confusão que penetrou na igreja de Corinto se deveu ao fato de os crentes deixarem de reconhecer Jesus Cristo como Senhor.

Corinto era a cidade mais importante da Grécia nos dias de Paulo, a quarta cidade em tamanho de todo o império Romano. Sua riqueza era muito grande, os homens passavam o tempo em torneios e discursos. O luxo, dissipação e imoralidade pública predominavam entre a população industrial e marítima dessa cidade. Corinto atraía um grande número de pessoas de outras regiões do Oriente e do Ocidente. Seus deuses eram deuses de prazer e luxúria. Além disso, havia muita cultura e arte. A cidade possuía muitos centros de estudos linguísticos e escolas de filosofia. A cidade era o centro de um culto degradante a Vênus, conhecido também como Afrodite. Existia um templo no centro da cidade dedicado a Afrodite onde mais de 1.000 mulheres se prostituíam ao ar livre.

No capítulo 18 de Atos, vemos como Evangelho alcançou essa cidade corrupta. Vemos o apóstolo Paulo, com cerca de cinquenta anos em trajes de operário, entrando na movimentada cidade e percorrendo suas ruas em busca de uma oficina em que pudesse ganhar a vida. Não havia cartazes anunciando a chegada de um evangelista mundialmente famoso. Este artesão chegou ali e começou a fazer tendas. Naquela época essa era uma indústria muito importante, como é hoje a construção civil. Paulo conheceu Áquila e Priscila, dois prósperos fabricantes de tendas. Ele provia o seu sustento e levava a sua vida missionária. Paulo evangelizou aquela cidade durante 1 ano e meio deixando ali congregações mistas de judeus e gregos.

Quatro anos depois Paulo recebe notícias perturbadoras acerca da má conduta dos convertidos de Corinto. Assim, Paulo escreve 1 Coríntios enviando uma série de instruções para suas ovelhas que estavam dividas e que por má influência haviam distorcido todos os conceitos ensinados por Paulo.

Um dos conceitos distorcidos foi a “Liberdade” que temos em Cristo.

Converso diariamente com irmãos novos convertidos que muitas vezes me perguntam o que devem fazer em uma situação específica. Ficam desorientados e muitas vezes fazem apenas o que o outro companheiro de igreja faz, o que o companheiro de igreja diz e assim por diante.

A Palavra de Deus não estabelece regrinhas de conduta para nós, nem nos diz exatamente o que devemos fazer ou não. Ela estabelece princípios pelos quais o crente deve orientar-se. Alguém disse que a liberdade cristã não significa o direito de fazermos o que queremos e, sim, o que devemos.

Paulo o coloca nestes termos no capítulo 6, versículo 12 de sua primeira carta.

A nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros. Ultimamente vemos uma onda de cristãos, que não tem mais Deus como Senhor de suas vidas, mas sim como um garçom, que está pronto a fazer as suas necessidades. São tantas canções que só pedem bênçãos ao Senhor, e atos proféticos que exaltam o bem estar aqui nesta terra e esquecemos que o nosso galardão não é aqui. Para conquistarmos galardões aqui muitas vezes ultrapassamos todos os limites para “conquistar a benção”. Vale tudo, vale pisar nas pessoas no ambiente de trabalho para conseguir uma promoção, vale enganar nosso irmão para conseguirmos o que nos foi “profetizado”. Queremos sempre mais e mais, não importando quem tenhamos que derrubar.

É isto que Paulo nos ensina?

“…Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.”

Se a sua liberdade está prejudicando alguém, ela está indo longe demais. Posso fazer o que quero mas preciso certificar-me de que o que quero agrada a Cristo. O que faço é exemplo para os outros e pode prejudica-los ou ajuda-los. Não só devo perguntar:

• Será que minha ação vai prejudicar o meu irmão mais fraco?

• Esta minha ação glorifica a Deus?

Se voltamos no capítulo 4:3:

“Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por tribunal humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo.

Porque de nada me acusa a consciência; contudo nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor.”

Neste texto vemos que cada um de nós representa quatro pessoas:

A que o mundo conhece

• A que nossos amigos conhecem

• A que nós mesmos conhecemos

• E a que Deus conhece

Não dependa do julgamento dos homens. O mundo julga nosso caráter por um único ato. As vozes da crítica podem ser fortes, mas se você subir até o alto da mais montanha com Deus, verá o tumulto do povo, mas não ouvirá suas vozes.

Cuidado com o juízo de um amigo, porque poderá ter uma opinião muito favorável a seu respeito. Gostamos de acreditar em tudo de bom que dizem de nós, mas ficamos ressentidos com a crítica.

Paulo diz: “Nem eu tão pouco julgo a mim mesmo” (4:3). Cuidado quando comparecer diante do tribunal de sua própria consciência. Quando ela disser “Pode fazer isso”, é sempre bom ir a Jesus Cristo e perguntar-lhe: “Posso fazê-lo?”. É difícil sermos honestos com nós mesmos. Muitas vezes de tanto pecado nossa consciência fica cauterizada. Ninguém deve julgar em causa própria, por mais sincero que seja.

Devemos nos submeter a um único julgamento – um que está sempre certo e não falha.

“Quem me julga é o Senhor” (4:4). Somos mordomos dele e é a ele que temos de prestar contas. Do julgamento dele não podemos escapar. Seu olhar sereno está fixo em nós.

O louvor que vem dele é verdadeiro. Se ele disser: Bem está, servo bom e fiel, que mais importa?

Dele vem todo o conhecimento e toda a sabedoria, influenciando nossas vidas através da liberdade concedida pelo seu filho Jesus Cristo na Cruz.

Deixe ser influenciado por Jesus Cristo e pelo seu Santo Espírito e não pelos prazeres e pela falsa liberdade deste mundo corrupto.

Deus abençoe!

Cifra: http://www.cifras.com.br/cifra/david-quinlan/eu-so-quero-te-amar

Cifra: http://www.cifras.com.br/cifra/fernanda-brum/jesus-meu-primeiro-amor

 

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